Governo do Distrito Federal
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20/02/20 às 8h32 - Atualizado em 20/02/20 às 8h32

Propriedade do DF é auditada para receber o selo de Boas Práticas Agropecuárias

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O Programa Brasília Qualidade no Campo, instituído pela Portaria n° 35, de 12 de maio de 2016, realiza a certificação de propriedades que promovem as Boas Práticas Agropecuárias (BPA). Na ocasião, são avaliados aspectos socioambientais da produção de alimentos seguros e de qualidade.

 

Com o objetivo de orientar e certificar as propriedades do DF, a Secretaria de Agricultura do Distrito Federal (Seagri-DF), vem realizando auditorias em propriedades com potencial para receber o selo, e a última foi realizada na Fazenda Miunça. Localizada no PAD-DF, a propriedade rural é referência internacional na criação de suínos utilizando a técnica de bem-estar animal.

 

Durante o processo, são avaliados 150 itens e a propriedade que apresentar conformidade mínima exigida de 70%, respeitando o cumprimento de todos os itens obrigatórios, é certificada e recebe o direito de uso do Selo BPA.

 

São avaliados itens como barreira sanitária, controle da entrada dos animais e de pessoas, controle de vacinação que respeite o calendário predeterminado pelo órgão de defesa, controles que mostram que os animais estão sendo monitorados quanto à sanidade do rebanho, entre outros itens.

 

Durante a vistoria, também são avaliados itens relacionados à higiene e a organização da propriedade, em especial ao sistema produtivo. “A gente está aqui para fazer uma auditoria em busca da certificação da propriedade. São avaliados itens que englobam a produção sustentável, o respeito à legislação trabalhista e o respeito ao bem-estar social dos trabalhadores rurais. Avaliamos a qualidade da produção para a obtenção de um alimento seguro”, explicou a gerente de Boas Prática Agropecuárias da Seagri-DF, Lara Line.

 

Ela explicou que a certificação é importante para mostrar ao consumidor que a produção dessa propriedade é diferenciada das demais. “É uma produção de um alimento de qualidade, um alimento seguro, ambientalmente correto e socialmente justo. É para apresentar, não só para o consumidor, mas para outros mercados compradores que essa propriedade tem uma diferenciação de qualidade de produção das demais”, afirmou.

 

A certificação foi uma demanda do setor produtivo do DF, que, segundo Lara, quer mostrar que seus produtos são de qualidade e quer ser reconhecida pelas características diferenciadas da produção local. “Aqui existe um controle muito sério pensando na segurança desse alimento e na segurança desses animais”, observou Lara Line.

 

Para o proprietário da Fazenda Miunça, Alexandre Cenci, a certificação de Boas Práticas Agropecuárias é uma oportunidade de agregar valor à produção e chancelar todo o trabalho desenvolvido na propriedade, voltado ao bem-estar animal e às práticas socioambientais. Ele também aproveitou a oportunidade para elogiar o trabalho responsável que a Secretaria da Agricultura vem desenvolvendo. “O trabalho que a Seagri está desenvolvendo vem ao encontro do nosso ao longo de todos esses anos, com responsabilidade, comprometimento em práticas de sustentabilidade e de bem-estar animal. Aqui nós também aproveitamos todos os dejetos e resíduos da granja para serem utilizados na lavoura, integrando todo esse ciclo de produção. Com o processo de certificação, a gente também quer levar todas essas práticas para junto dos consumidores”, explicou Cenci.

 

Valdemir Maria Martins, gerente de suinocultura da Fazenda Miunça, também ressaltou a importância do Selo BPA para aquelas propriedades que produzem de forma justa e sustentável. “A gente está agora, justamente, nesse processo de certificação do BPA. Queremos levar isso até o consumidor, para agregar valor ao nosso produto que é diferente do produto convencional”, afirmou.

 

O Programa é executado pela Secretaria de Agricultura com a participação da Ceasa-DF, Emater-DF e Secretaria de Saúde, por meio da Vigilância Sanitária.

 

Biodigestor

 

A produção de suínos é considerada de alto impacto ambiental. Para contornar essa questão, a propriedade investiu na construção de um biodigestor, onde 100% dos dejetos dos suínos são reciclados e transformados em gás para a geração de energia elétrica, o resíduo sólido em adubo para a lavoura de grãos e o líquido é utilizado para a fertirrigação nas pastagens.

 

Segundo Valdemir Maria Martins, existe uma série de vantagens nesse sistema que, além do reaproveitamento dos dejetos, e de a atividade não poluir o meio ambiente, existe a vantagem financeira e a geração de receita. “Hoje a gente tem uma economia de 70% de energia elétrica que é gerada através do sistema de biodigestor. Estamos produzindo suínos, ele tem dejetos, esse dejeto é tratado e gera receita. A gente não perde nada do produto”, afirmou.

 

A energia produzida pode ser usada diretamente na propriedade rural através de geradores, ou injetada na rede da concessionária, gerando créditos que são abatidos na conta de energia.

 

Bem-estar animal

 

A Fazenda Miunça é referência internacional na criação de suínos utilizando a técnica de bem-estar animal. A propriedade recebe comitivas e missões do Brasil e do mundo com o objetivo de conhecer o trabalho desenvolvido na criação de suínos.

 

Segundo o gerente de suinocultura da Fazenda Miunça, Valdemir Maria Martins, o bem-estar animal é na verdade muito mais do que simples instalações físicas, mas um conceito. Segundo ele, as instalações propiciam esse bem-estar animal, mas as pessoas que trabalham com os animais e a forma como eles são tratados, são muito importantes no processo. “Bem-estar animal é comportamento. As pessoas têm que trabalhar visando o bem-estar animal. A gente procura atender ao máximo as necessidades que o animal está precisando com água, ambiente, espaço, enfim, depende das pessoas também para se ter esse bem-estar para os animais”, explicou.

 

A granja propicia um espaço para o animal se sentir bem, com ventilação adequada, densidade de animal por metro quadrado, além de instalações que propiciem esse bem-estar. “Cada vez mais, nossas instalações estão atuando em cima disso. Esse projeto do BPA vem somar com esse projeto de sustentabilidade. O BPA vai poder levar isso até o consumidor e deixar esse produto mais confiável e essa segurança para o consumidor vai trazer mais benefícios ao produtor rural”, afirmou Martins.

Texto e foto: Ascom Seagri DF